Primeiro peço desculpas a você leitor
porque este é um texto em que cito muito as cores com as linhas correspondentes
do Metrô, de regiões e estações. Para quem não conhece São Paulo e o Metrô
basta ver uma explicação resumida nas "notas" depois deste texto.
O Metrô de São Paulo nos revela a
tendência de se fazer política no Brasil desde há muito tempo: em se
administrar mais e melhor para os ricos do que para os pobres.
Ele é um sistema muito complexo, e por
isto não podemos analisar muito do funcionamento dele em termos de exceções.
Por exemplo: eu por muitas vezes medi o tempo que um trem chega uma estação
após a saída de outro, na linha Leste e Norte. A média fora de dois minutos.
Agora entro nas estações da parte Sul e o tempo é de um minuto, em média. Veja,
falo em média, e por isto, não é porque alguém mediu dois minutos de diferença
entre dois trens no sentido Jabaquara - Sul, que é besteira o que eu disse.
E digo aqui: nem adianta uma pessoa postar
um comentário neste blog ela não leva em consideração à estatística. Sou
professor e raciocinar com base em exceções não nos leva a nada.
Dando mais um exemplo e mostrando o
privilégio das classes mais abastadas, a parte Sul possui um ótimo sistema de
ventilação dentro das estações onde você espera o trem. Inexistente na parte
Leste, onde se concentra a maior população usuária, alguém poderia dizer:
"mas ela é toda, com exceção do Tatuapé, acima do chão, vazada,
ventilada". Mas, nem ventiladores comuns para os dias mais quentes?
O Metrô para a Zona Oeste tem o seu maior
trecho na região central e nas estações Anhangabaú e República, sempre repletas
de pessoas, também não possuem ventilação. E a partir da Praça da Sé, incluindo
esta, também não possui um sistema de ventilação para melhorar o conforto do
usuário, com exceção da São Bento e Luz.
A linha Verde, que passa por três estações
na Avenida Paulista, e a Vermelha, começaram a receber desde 2011 os chamados
"novos trens" do Metrô, todos com ar condicionado. Primeira
diferença: os verdes são muito mais bonitos e bem acabados. Mas se isto não
importa para certas pessoas, note o seguinte: quase todos os novos metrôs
verdes estão circulando normalmente, e na linha Vermelha ainda existem muitos
dos antigos, trepidando muito, sem ar condicionado, deixando o povo
enlouquecido de calor para quem vai para a parte Leste. Ou mesmo se estiverem
voltando.
A linha Amarela é a mais nova, moderna,
que passa, em média, pelos bairros mais abastados dentre todas as linhas. Nela
você chega numa estação, que hoje ainda não estão todas prontas, e fica
surpreendido: vê uma "parede" de vidro que não deixa ninguém cair na
linha do trem. O sistema funciona automaticamente quando o trem chega e para.
Portas nessas "paredes" de vidro se abrem com as portas do trem
também se abrindo. E fecham praticamente juntas, ou seja, por mais cheia que
estiver uma estação, essas portas de vidro só abrirão com o Metrô já parado e
abrindo também as dele. E na Zona Leste, com o número maior de usuários do Metrô,
como eu já disse, onde se pode ocorrer então mais acidentes, não há um sistema
assim.
Nessa linha Amarela os trens não possuem
manobristas! Eles caminham sozinhos via controle computadorizado. Ainda tiram
empregos.
E algo já era para ter sido feito há muito
tempo. Muito tempo mesmo: a ligação entre a linha Verde com a Vermelha. Quem
vai da linha Vermelha, parte Leste, para a Zona Sul (parte Sul da linha Azul) e
também para a Sé, no centro, tem que passar pela estação Sé e pegar o Metrô da
linha Azul. Diariamente são centenas de milhares de pessoas, se não chegar a um
milhão, que literalmente se espremem para irem trabalhar e depois
voltarem. Ou resolverem seus compromissos. As maiores aglomerações de pessoas
em estações ficam na Sé e na parte leste toda. Por um ano peguei esse trânsito
e era comum eu esperar passar seis ou sete trens até conseguir entrar em um.
Se se preocupassem realmente com as
pessoas, a ligação da Verde com a Vermelha faria com que elas fossem
diretamente, em uma viagem, até a estação Paraíso da Sul sem passar pela Sé.
Pois a Verde foi inaugurada em 1991 e sempre caminhou a passos lentos em
direção a Zona Leste. Estão fazendo essa ligação agora depois de muito
sofrimento da populosa região Leste.
O Metrô é um transporte público, para
pessoas sem carros, de baixa renda e poderia se afirmar que governos o fizeram
sim, realmente visando essas pessoas. Mas isto é só parte da história. Por que
então tantos privilégios como alta tecnologia e conforto quando se trata de
Metrô em bairros mais abastados?
E existe o fato de, obviamente, a passagem
ser a mesma para todos. Mas certas regiões da cidade possuem trens melhores, em
sua maioria, mais confortáveis. Por que fazer diferença entre ricos e pobres?
O Lula, a despeito da corrupção que
aconteceu no governo dele, talvez "inaugurou" uma nova tendência de
governar o país: ele governou para os ricos e
também para os pobres.
Tendência esta seguida pela presidenta Dilma.
Eu dei o exemplo do Metrô para falar dessa
mentalidade política nociva aos menos favorecidos. De qualquer maneira eu vejo
em São Paulo hoje uma chama de conscientização do seguinte modo: pessoas
simples, sem cultura, dizendo: "voto neste candidato porque ele gosta dos
pobres e não naquele que gosta só de rico". Ou seja, se a conscientização
política não vem da educação, vêm do bolso, porque pessoas assim querem mais
trabalho em massa, empregos em massa, facilitações para a compra da casa
própria, para bens de consumo etc.
Notas:
1) - Na Zona Leste, pessoas entram no Metrô
na estação Arthur Alvim para Corinthians - Itaquera, na esperança de, se o trem
voltar, elas ficarem sentadas para irem até à Sé. Mas vejo que não são muitos
trens que voltam e as pessoas ficam realmente desanimadas e reclamando com
isto. Arthur Alvim é a penúltima estação Leste, sempre com assentos vazios para
Itaquera e muita gente que acorda cedo, se arrisca neste sentido porque irão
trabalhar o dia inteiro e voltarão de pé à tarde, ficando exaustas até chegarem
às suas casas. Vejam o que elas fazem então para não se cansarem demais,
tentando minimizar esse cansaço todos os dias. E aí se cai no que falei: a
linha Verde já poderia estar ligada a Corinthians - Itaquera, porque, além de
tudo isso, muitas pessoas, na Sé, pegam a linha Azul para irem à Paulista ou
mais adiante. Ou seja, são viagens longas.
2) - Um dos locais de maior fluxo de
pessoas do Metrô é certamente a ligação da rodoviária Tietê com a Linha Azul,
em que você vai para a Zona Norte, sentido estação Tucuruvi, ou para o centro,
estações Luz, São Bento, Sé, Liberdade, para a Paulista ou em direção aos bairros
antes de Jabaquara. É o Metrô estação Jabaquara.
Se você estiver na rodoviária e for para o
centro ou à Paulista, verá que existe uma passarela em declive de uns quatro
metros de largura para ir até as escadas rolantes do Metrô. A passarela se abre
para oito metros em sua largura máxima e então você nota a bilheteria
afunilando essa passagem das pessoas para quatro metros! E não é só isso: como
sempre existem filas para a compra de bilhetes, muitas vezes essa passagem chega
a três metros de largura! Quem será que teve essa ideia de colocar a bilheteria
bem ali? E também existe algo mais: para a Zona Norte você compra também ali o
bilhete e volta para pegar outra passarela, essa em aclive, para o Metrô.
Realmente é de uma estupidez muito grande uma passagem tão estreita como aquela
e ainda com a bilheteria no local espremendo, literalmente, as pessoas. Que
falta de respeito com o cidadão...
Só para ter uma ideia: na estação Santana
há duas passarelas para cada sentido da Linha Azul, Tucuruvi e Jabaquara. Pois
bem, cada uma das quatro é bem mais larga que essa de Jabaquara.
Você deve estar se perguntando: como eu
sei das medidas? Simples, o chão é pavimentado com ladrilhos quadrados não
vidrados. Medi o comprimento de um dos lados e contei em cada parte da
passarela quantos havia.
3) – Há algum tempo, na estação Tatuapé e
Corinthians - Itaquera, começou uma integração com os trens da CPTM em que você
passa do Metrô para o trem e vice-versa sem pagar nada. Existe aos sábados e
domingos, mas o que mais interessa às pessoas é nos dia de semana, quando
a maioria trabalha. E então veja os horários em que fizeram essa integração: das
dez horas às quinze horas e das vinte as vinte e quatro horas, ou seja, não nos
horários de pico em que esses usuários continuam a pagar duas passagens
como antes. É isto que chamo de: a esmola indecente do rico para o pobre.
4) - No dia 05 de março de 2013, cheguei à
estação do Metrô Corinthians - Itaquera às 07:05 da manhã. Existem sempre, de
manhã, duas filas de pessoas, uma para o lado direito e outra para o lado
esquerdo, de quem está de frente para as catracas. Pela esquerda, na direção do
Shopping Itaquera, até a entrada deste, havia uma fila de duas pessoas com 115
m de comprimento! Só que antes de chegar às catracas ela se alarga porque há
umas sete ou oito permitindo a passagem dos usuários. Mas a fila do lado
direito ia até o terreno onde está sendo construído o estádio do Corinthians, o
"Itaquerão", para a copa de 2014, pela passarela que dá acesso à
entrada principal do Metrô. Sabem qual a distância? 160 m! E sabe qual era a
quantidade de filas? Cinco pessoas! E ainda de baixo de um sol forte sem nuvens
apesar de ser sete e cinco da manhã. É comum eu chegar à estação do Metrô Corinthians
- Itaquera e ver essa fila de cinco pessoas atingindo por volta de 100 a 130 m
de comprimento. Sei destas medidas porque o chão é revestido por placas de
pisos emborrachados, de forma quadrada, de 0,5 m cada um. É só contar... Então,
275 m de filas!
Estou em São Paulo há seis anos. Quantas
vezes houve filas iguais a estas e até quando isto irá permanecer assim? O
governo estadual está pouco ligando porque, de anos para cá, já teria unido a
linha Verde em Itaquera. Isto é que é judiar do povo.
- Outras notas:
1) – O Metrô é composto das linhas Azul,
Vermelha, Verde, Amarela e Lilás.
2) - As linhas onde possui estações em
bairros com um melhor poder aquisitivo da população: Azul (parte Sul), Verde e
Amarela.
3) - A linha Amarela é a mais recente,
seguida pela Verde.
4) - A linha Vermelha - parte Leste - e a
Lilás, são onde se localizam os bairros mais pobres de todo o sistema.
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